Qualquer que seja a direção a partir do centro de Miami, chega-se aos subúrbios rapidamente. Indo para o norte, a extensão suburbana um tanto desanimadora começa a surgir entre a I-95 e o Biscayne Boulevard, na discreta vizinhança das praias de Miami e North Miami. A boa notícia é que está ficando mais difícil ignorar North Miami. A razão é que, junto com o Centro e Midtown Miami, o crescimento aqui está disparando. Mescla de chique e favelado, cênico e assustador, North Miami permanece um verdadeiro balaio de gatos. Abriga o campus norte da Florida International University, é sede dos condomínios e subúrbios esteticamente agradáveis da Greater Miami Humane Society (que local tem o trabalho de Romero Britto nas paredes?).
O bichinho do desenvolvimento já devorou um grande e suculento naco de North Miami: presencie a construção do tão aguardado Biscayne Landing, megacomunidade de 809.400 metros quadrados nas praias da Biscayne Bay, que inclui condomínio verticais, town houses e um town center. Se for na direção oeste, rumo à principal via da cidade, a NE 125th Street, você passará pela região Downtown de North Miami, onde butiques da moda pipocam sem parar junto com lojas de novidades, presentes e utensílios domésticos, uma pet shop de luxo e – evidência final de supremo enobrecimento – uma nova Starbucks. As galerias de arte também estão defendendo seu quinhão.
A região Downtown de North Miami tem até um nome engraçadinho: NoMi Arts District, cujos limites compreendem a NE 125th Street entre as avenidas NE 6th e a NE 10th, a NE 6th Avenue entre as ruas NE 123rd e NE 125th e a West Dixie Highway, da 123rd Street até a NE 135th Street. Se quiser escapar das aglomerações, você encontrará prazeres mais verdes no paraíso dos adeptos do piquenique e dos ornitólogos de Greynolds Park (17530 West Dixie Highway), ao norte do Oleta River State Recreation Area . Mais ao norte fica Aventura, onde vivem mulheres ricas com rostos e corpos recentemente esculpidos, múltiplos cartões AmEx gold e uma tendência a tirar as pessoas da estrada com seu Caddy Escalade preto. Alguns argumentam que a pequenina e congestionada, mas bem-cuidada cidade de Aventura – também chamada de “Oyventura” devido a sua grande população judia de Nova York e de “Aventorture”, pelos que odeiam o trânsito, causada pela chegada dos que fogem do inverno – é a única dos EUA batizada com o nome de um shopping. De fato, o Aventura Mall continua sendo a maior atração para visitantes e moradores.
Arch Creek Park e Museum
1855 NE 135th Street com o Biscayne Boulevard (305 944 6111). Ônibus 3, 28. Diariamente 7h/17h. Entrada grátis. Não aceita cartão. Criado ao redor de uma ponte natural de pedra calcária, outrora parte de uma importante trilha dos nativos, este pequeno parque tem museu e centro natural, com artefatos deixados pelos indígenas ao passar sobre a ponte arqueada. Alguns naturalistas ficam à disposição para apontar pássaros, animais e insetos nativos.
Museum of Contemporary Art
770 NE 125th Street, at NE 8th Avenue (305 893 6211/www.mocanomi.org). Ônibus 10, 16, G. 3ª a sáb. 11h/17 h; dom. 12h/17h; última 6ª do mês 19h/22h. Entrada US$5; grátis menor de 12. Cc (acima de US$10) AmEx, MC, V. Com o objetivo de descobrir novos talentos artísticos, o MOCA (ou MoCaNoMi) mantém um programa dinâmico, apresentando até dez exposições por ano em sua estrutura projetada por Charles Gwathmey. Sua coleção permanente já soma mais de 350 obras de artistas como John Baldessari, Louise Nevelson e Gabriel Orozco. Com cobertura da mídia até Nova York, mostras de grande repercussão e debates entre artistas e personalidades como Yoko Ono, segue firme na vanguarda da arte na costa leste. O museu oferece visitas guiadas gratuitas (sáb. 14h). O Jazz at MOCA (concertos de jazz ao ar livre) e visitas gratuitas pela galeria acontecem na última 6ª do mês (19h/22h).
Spanish Monastery
16711 W Dixie Highway, at NE 167th Street (305 945 1461/www.spanishmonastery.com). Ônibus 3, V. 2ª a sáb. 9h/17h; dom. 14h/17h. Entrada US$5; US$2 sócios. Não aceita cartão. Construído em meados do século 12, perto de Segóvia, na Espanha, o mosteiro foi ocupado por monges cistercienses por 700 anos antes de ser transformado em estábulo. Em 1924, o magnata da imprensa William Randolph Hearst comprou os claustros e prédios externos, desmontou a estrutura, embalou-a em 11 mil caixas e despachou para os EUA. Destinava-se à Xanadu, sua mansão na costa da Califórnia, mas Hearst teve problemas financeiros. A maioria de sua coleção foi a leilão, e as pedras permaneceram em um armazém do Brooklyn durante 26 anos, até serem finalmente compradas e montadas a um custo de US$1,5 milhão (soma astronômica na época). Hoje, esta estrutura romanesca é um oásis numa área ruidosa. Tem uma estátua em tamanho natural do rei espanhol Alfonso VII (originariamente, o mosteiro foi construído para comemorar uma de suas vitórias sobre os mouros) e lindos vitrais redondos. O mosteiro é muito procurado para casamentos – tanto que fica freqüentemente fechado ao público, especialmente aos domingos; ligue antes para não perder a viagem.
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