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Restaurantes - Destaques
 
Nova Pequim O chef

A principal mudança em Pequim nos últimos anos foi a melhoria no padrão de vida. Quando eu era criança, era completamente diferente, a cidade era suja. Mas, agora, o ambiente, a vida doméstica, a comida, tudo melhorou bastante. Apesar de as mudanças não serem tão radicais de ano para ano, se você mora aqui desde que nasceu, como eu, que nasci em 1964, as mudanças são de fato fenomenais.

Quando tenho uma folga, tento ir a outras cidades da China que têm uma cultura gastronômica interessante, como Anhui, Guangzhou e Sichuan – é mais um estudo do que férias. Eu raramente vou a bares e discotecas, mas visito outros restaurantes para experimentar coisas diferentes e ver como é o ambiente.

 Diferentemente de quando eu era novo, agora comemos por prazer, e não por obrigação. O transporte pode ser bastate irritante em Pequim, mas o governo trabalha para solucionar isso. O problema é que Pequim é tão grande, que a velocidade do desenvolvimento não acompanha. É irritante quando você descobre que uma obra em frente à sua casa, mas sabemos que eles estão fazendo isso apenas para melhorar a rua.

Se eu fosse levar turistas para conhecer Pequim, obviamente os levaria para o Templo do Céu, a Grande Muralha, a Cidade Proibida, mas eu também lhes mostraria os antigos hutongs de Pequim – ainda há centenas deles. Eu também os levaria para comer shuanyangrou (hotpot).

Na China, quando as pessoas se encontravam, perguntavam ‘Você está cheio?’. Mas, agora, perguntam ‘Como vai?’ ou ‘Tudo bem?’. Isso porque não há mais aquela pobreza, e as pessoas não comem para ficarem satisfeitas, elas apenas comem bem. Isso mostra como a qualidade de vida melhorou.

Quanto mais estrangeiros vierem a Pequim para ver a cultura e as tradições, maior será a variedade de tipos de comida, e em breve haverá cozinhas do mundo todo. E, com o poder de compra dos chineses aumentando, ele vão querer experimentar essas comidas novas. Muito embora os chineses sempre vão preferir comida chinesa. Apesar de o Made In China oferecer comida caseira, vai evoluir com o tempo.

Este ano nós até fizemos uma ceia de Natal ao estilo ocidental. Eu adoraria levar a comida caseira para o exterior. Ela é muito diferente da comida chinesa que se encontra lá fora. Como é difícil agüentar o mala (tempero com efeito amortecedor), ele é pouco usado, a ponto de não parecer comida chinesa. O ritmo das pessoas mais velhas em Pequim é diferente.

Eles passam o dia levando seus pássaros para passear. Até sua linguagem é diferente, e eles não ligam para a modernidade. Há um certo preconceito contra quem não é de Pequim. Quem ainda vive nos hutongs tem banheiros coletivos, mas contrata gente de fora para limpá-los. Não esqueça que esta é a Cidade Imperial! Muitos dos mais jovens só se interessam em se divertir. Há cada vez mais playboys aqui.

Muitos deles são muito preguiçosos, seus pais pagam por tudo e eles só comem, bebem e brincam. É claro que há jovens que trabalham duro, mas muitos nascem já com um status. É como nascer nobre no Reino Unido. Isso é algo único em Pequim. Minha dica para quem vem a Pequim é simples: seja honesto. Se eu sou honesto com você, você será honesto comigo.

Ah, e estude o dialeto de Pequim. Isso conta muitos pontos. Pequim é como um quadro inacabado. Você pinta o quadro e acha que acabou, mas, quando volta a ele no dia seguinte, precisa acrescentar alguma coisa e reajustá-lo, pois ele se transformou durante a noite.  Jin Qiang, nascido em Pequim, é chef de cuisine do Made in China, no Grand Hyatt Hotel.


     
 

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