Melhor lugar da China para ópera, acrobacias e comédia em mandarim
Mesmo não sendo a cidade mais rica nem a mais populosa do país, Pequim é o centro criativo para o crescente mercado de artes performáticas da China. Educados e razoavelmente cosmopolitas, os cidadãos querem enriquecer culturalmente à medida que ganham mais dinheiro, e os visitantes tiram proveito dessa jornada. Pequim já recebeu lendas como Jessye Norman, o balé Bolshoi e os Três Tenores.
Companhias secundárias de balé geralmente iniciam ou encerram suas turnês na capital, o que significa várias montagens de O Lago dos Cisnes na cidade. Os festivais internacionais estão crescendo, e artistas como o maestro Ricardo Muti, a soprano Eugenia Garza e o Teatro La Fenice têm aceitado convites para se apresentarem em Pequim.
Outra boa notícia é que cada vez mais países estão patrocinando a cultura na China (2007 foi o ano da Espanha; 2008 é a vez da Grécia) e, por isso, uma série de atrações internacionais deve continuar a aparecer na cidade. Com talento nato, o Balé Nacional da China tem padrão mundial e um vasto e ousado repertório; e grupos de dança moderna como a Companhia de Dança Moderna de Pequim e o LDTX também estão se tornando conhecidos internacionalmente.
Ainda que as coreografias não sejam perfeitas, ninguém tem medo de experimentar – e, fazendo surgir alguns dos maiores talentos do mundo, esses grupos devem dar origem a grandes companhias no longo prazo. O público chinês que aprecia música clássica é pequeno, mas está crescendo rapidamente. Os espectadores podem até não entender tudo o que ouvem ou aplaudir na hora errada, mas ninguém duvida que a China se tornará um grande palco no futuro.
Pequim tem um bom número de orquestras, que variam de boas a inferiores, principalmente por causa da carência de bons instrumentistas – e, nesta geração de músicos, não é todo mundo que quer aprender violino. Infelizmente para Pequim, a antiga tradição de pagar impostos para a coroa não morreu com o último imperador.
Os teatros freqüentemente entregam para o governo boa parte do que é arrecadado nas bilheterias e, em troca, os espetáculos recebem críticas positivas nos jornais. Isso implica em ingressos caros, geralmente entre US$20 e US$150, um preço bem salgado para a maioria dos chineses.
Os ingressos de US$2.000, pela apresentação dos Três Tenores em 2001, foram os mais caros até então cobrados no mundo por um espetáculo. Isso coloca muita gente à margem das artes e torna o conhecimento da população geral muito raso – um balé não é balé se não tiver cisnes dançando graciosamente em algum momento, e toda valsa tem que ser de Johann Strauss.
Porém, esta realidade está mudando, e a população de Pequim está sempre disposta a experimentar novidades. Em 2006, a Companhia de Ópera de Xangai levou à cidade O Nariz, de Shostakovich, uma história sobre um homem de São Petersburgo que descobre que perdeu o nariz de quase dois metros de cumprimento. No intervalo, a platéia estava atordoada, em silêncio; ao final, todos aplaudiram exaustivamente.
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