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Passeios - O Centro 

 

Introdução



Bem vindo ao coração histórico do universo

 

A maioria das pessoas pensa em duas Pequins: a antiga, cheia de imperadores, grandes palácios e intriga imperial; e a moderna, que ainda está sendo construída – literal e metaforicamente – aos cuidados de um governo que luta para inventar um comunismo simpatizante do comunismo.

 

Os principais pontos desses dois mundos estão em alguns quilômetros quadrados de ambos, bem literalmente no centro da cidade. A Praça Tiananmen e a Cidade Proibida são hoje visitadas por mais de 8 milhões de pessoas ao ano, assim como moradores locais com pipas, ambulantes vendendo produtos das Olimpíadas e grupos de turismo chineses na viagem de suas vidas, sem mencionar as legiões de ‘estudantes de arte’ que vão tentar convencê-lo a visitar suas galerias (ou seja, a comprar arte de segunda por preços exorbitantes).

 

A Cidade Proibida, oficialmente chamada de Museu do Palácio – embora o nome não tenha pegado – permaneceu quase totalmente em sua forma original. Por outro lado, a Praça da Paz Celestial mudou consideravelmente. Fundada no século 15, durante a dinastia Ming, ela era originalmente em forma de T. Em vez de ser uma área de importância política ou social, com uma identidade ou um nome, era mais um espaço funcional entre os portões Chang’an, no leste e oeste da Cidade Proibida (à esquerda e à direita de onde está agora o retrato de Mao), e o portão Qianmen, no sul – antigamente um dos nove portões da muralha de Pequim.

 

A linha vertical do ‘T’ da Tiananmen era alinhado com os vários departamentos de estado do governo durante a época dos imperadores, enquanto a barra horizontal do ‘T’ se esticava até os portões Chang’an – de um lado, muito relacionados às festas de estudantes que passaram em seus exames para se tornarem oficiais imperiais e, do outro, com os julgamentos imperiais nos quais os réus eram sentenciados à morte.

 

Depois que o último imperador deixou a Cidade Proibida e a China se tornou uma república, em 1911, era comum para os chineses realizarem comemorações ou manifestações nesta parte da cidade – da vitória aliada na Primeira Guerra Mundial à subseqüente decisão de entregar o território chinês aos japoneses.

 

Só depois de 1949, quando Mao declarou a nova República Popular, a dinâmica da região mudou. Sua visão do que aquele espaço deveria se tornar era ambiciosa. Ele sabia que era vital retirar o poder da área em seu próprio benefício e tentou controlar o (na época) importante espaço político, ao moldá-lo de acordo com seus próprios valores.
Muitos dos portões originais da cidade foram demolidos nessa época, em uma tentativa de acomodar a visão de Mao de uma praça ‘grande o suficiente para abrigar uma assembléia de um bilhão’.

 

Pela primeira vez na história, foi possível construir prédios mais altos que os da Cidade Proibida. Um arquiteto oficial explicou: ‘A cabeça do presidente, vasta como um oceano, voa além do confinamento dos antigos muros e corredores e penetra no futuro. É a visão dele que revela as diretrizes para a construção da nova praça.’ Demolições em massa foram feitas para abrir espaço para uma praça aberta que, apesar dos melhores esforços de seu planejador, conseguia abrigar apenas 400 mil pessoas (ironicamente, foi apenas após a morte de Mao que a praça foi expandida, e agora estima-se que ela possa acomodar um milhão de pessoas).

 

Diversos monumentos e edifícios no estilo soviético foram erguidos logo em seguida, incluindo o Monumento aos Heróis do Povo e o Grande Salão do Povo, depois o Mausoléu de Mao, supostamente construído em surpreendentes seis meses.

 

Sob a liderança de Deng Xiaoping, nos anos 1980, era apenas uma questão de tempo atéque a área ao redor começasse a se modernizar também. Wangfujing, nas proximidades, se tornou a principal rua de comércio e foi dominada pelo néon e pelas marcas estrangeiras.

 

De modo parecido, o lado leste da Praça da Paz Celestial agora apresenta um relógio que faz a contagem regressiva para o início Olimpíadas, e o sudeste está em processo de ganhar um pretensioso novo restaurante e um centro de varejo no antigo Quarteirão Diplomático, isso sem mencionar que as pessoas comuns podem agora passear pela antes Cidade ‘Proibida’.

 

 


     
 

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