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Fora da Cidade - Pyongyang
 
A prisão domiciliar nunca foi tão divertida

Se você já estiver cansado de Mao Tsé-tung e dos Ming, uma boa fuga é a excursão de fim-de-semana para a nação mais secreta e misteriosa do planeta. A viagem de 90 minutos de Pequim a Pyongyang faz você se sentir como Alice atravessando o espelho.

É o país militar mais amistoso que os ocidentais podem encontrar, e onde turistas chineses se arrastam reclamando da China dos anos 1970. Algum dia, Pyongyang poderá se tornar uma Pequim, com luzes de néon, carros luxuosos e um cintilante distrito financeiro, mas, por hora, você pode conhecer a cidade que Kim Il Sung imaginou.

Pyongyang significa ‘terra plana’, um local ideal para a capital uma vez que o país é coberto por montanhas. Não é um lugar pitoresco – não há canais, nem estradas ladeadas por árvores ou uma paisagem noturna impressionante. Os sombrios blocos de apartamentos fazem lembrar uma cidadezinha chinesa qualquer ou as piores partes de Pequim.

Mas a cidade possui estradas de faixas amplas com uma estranha ausência de carros, ruas e praças brilhantes, um número surpreendente de parques e monumentos altos que desafiam a imaginação. A desvantagem para o turista independente é que só se pode visitar o país com um tour pré-agendado. Até mesmo turistas que estão sozinhos precisam viajar com dois guias, um carro e um motorista, o que pode sair extremamente caro.

O mínimo que precisa ser arranjado inclui serviços de um guia, refeições, hotéis e um itinerário tanto para viagens domésticas quanto internacionais. Engana-se quem acredita que é possível reservar um tour e depois abandoná-lo – caso você se afaste muito de seu grupo, os guias gritarão ‘amigo, amigo, volte por favor’. Você pode andar o quanto quiser pelo hotel, mas fugir à noite pode causar problemas para seu guia com as autoridades, e isso não vale a pena.

No entanto, estar nessa ‘prisão domiciliar’ tem suas vantagens: os visitantes podem conversar bastante com os guias, que são surpreendentemente acessíveis. Se você não julgar e criticar (especialmente os ‘Grandes e Queridos Líderes’), eles podem se abrir sobre coisas como o problema de moradia, ou o monstruoso hotel que ficou inacabado por falta de dinheiro.

É estritamente proibido fotografar habitantes locais, mas acenar e sorrir dá certo tanto para civis quanto para militares; as crianças até dizem ‘oi’. Se for a um parque nacional durante os feriados nacionais, pode ser convidado pelas famílias locais para comer churrasco e saborear uma bebida alcoólica caseira.


     
 

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