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O Beijing Hotel

Quando Mao quis oferecer um banquete para comemorar a fundação da República Popular, em 1945, só havia um lugar possível: o Raffles Beijing Hotel (ver pág.35), o maior e mais famoso da cidade. Com a presença de Liu Shaoqi, Zhou Enlai, Zhu De, Dong Biwu e outros figurões, a festança de Mao é só um dos muitos fascinantes episódios na história ilustre, embora cheia de altos e baixos, do hotel.

De ‘único hotel de luxo no Extremo Oriente’ a albergue das tropas norte-americanas após a rendição japonesa nos anos 1940, o hotel teve bons e maus momentos. A jornada já dura quase 110 anos, desde seu humilde começo sob dois proprietários franceses no distrito diplomático da cidade até hoje, sob a marca Raffles.

Em todo esse tempo, o prédio recepcionou vários personagens famosos, de George Bernard Shaw a Charles de Gaulle e Henri Cartier-Bresson.  A crescente popularidade dos cruzeiros e transatlânticos de luxo, no início do século 20, fez o turismo na China deslanchar, e não demorou muito para que o Grand Hotel de Peking – como o Beijing se chamava – se tornasse o lugar mais comentado da cidade.

Com o alto nível de seus luxos, como ‘aquecimento a vapor, banheiras privativas e vasos sanitários com descarga’, o hotel ficou famoso pela comida gourmet e pelo terraço de jantar com vista para a Cidade Proibida. ‘Cozinha excepcional, com chef francês. Vinhos dos melhores distritos da França’, afirmava uma propaganda do hotel.

A pista de dança em estilo europeu era outro atrativo. O prédio até abrigava a sede da Thomas Cook Travel Agency e tinha duas limusines para transportar osm hóspedes que chegavam na estação ferroviária. Apesar das adversidades durante a ocupação japonesa, em 1937, seguida pela Segunda Guerra Mundial, o hotel continuou tendo um papel importante na vida social de Pequim e, até a inauguração do Grande Salão do Povo, em 1958, era o local de quase todos os eventos políticos.

O hotel continuou se expandindo durante os anos 1970 e, por um curto período, graças a 20 andares adicionais, foi o único edifício do centro com autorização para ter vista para a Cidade Proibida. Mais tarde, em 1989, foi do sexto andar do hotel que o jornalista Charlie Cole tirou a famosa foto de um manifestante enfrentando os tanques na Praça da Paz Celestial.

Quando a cidade passou a ser novamente um ponto turístico, o hotel teve que construir uma nova ala para atender à crescente demanda. Em setembro de 2005, a marca Raffles assumiu a tarefa de restaurá-lo a fim de recuperar sua glória passada.

Após nove meses de reformas, o prédio agora tem novos carpetes e cadeiras de couro, e a equipe de funcionários usa uniformes assinados por Benny Ong. Os hóspedes ainda são convidados a tomar o chá da tarde – uma tradição do hotel desde a década de 1920 – e o salão de bailes foi totalmente restaurado, com a presença de seu piano original. Resta torcer para que Pequim continue animada, pois este hotel ainda tem muito chão pela frente.



     
 

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