| |
Introdução
O menor país do mundo, a maior igreja do mundo
Por 2 mil anos as pessoas têm se aglomerado no Vaticano para buscar enriquecimento espiritual, apesar de hoje muitas se contentarem com um quebra-cabeças do teto da Capela Sistina ou com um holograma de Cristo crucificado. No século 1 a.C., o Ager ou Campus vaticanus era uma área de pântano entre o Monti Vaticani (indo do Giancolo até o Monte Mario dos dias atuais) e o Tibre, do outro lado do rio em relação ao centro da cidade e conhecido principalmente por seu vinho de má qualidade. O imperador Calígula (um dos mais loucos da linha disfuncional júlio-dlaudiana) determinou que aqui seria um bom ponto para um circo e local de prática para o mais glamouroso dos esportes, a corrida de bigas . O sobrinho de Calígula, Nero – o mais insano deles todos –, completou-a ao se tornar imperador, em 54 d.C. Ele construiu uma ponte, a Pons Neronianus, para conectar a área com o centro. No verão de 54 d.C., um incêndio destruiu dois terços da cidade. Quando a população de desabrigados culpou Nero, ele, por sua vez, culpou os cristãos, e a perseguição a esse novo e incômodo culto começou a sério. O circo de Nero era o local principal para atormentar cristãos: aqui, eles eram cobertos de piche e queimados vivos. Tradicionalmente, acredita-se que o apóstolo Pedro tenha sido crucificado no circo e então enterrado nas proximidades do lugar onde, 250 anos depois – em 326 d.C. – Constantino construiu a primeira igreja de São Pedro, colocando em alvenaria o verso do evangelho de São Mateus: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja”. Nem todos dos 262 papas subseqüentes moraram aqui – eles começaram em Latrão , na verdade, antes de a História levá-los a muitos outros lugares, incluindo Viterbo , Anagni (sul de Roma) e Avignon (França) – mas, no curso da era cristã, peregrinos continuaram afluindo à tumba do fundador da Igreja Romana. Em todas as direções, o Burgo cresceu para atender à explosiva indústria turística da Idade Média. O Papa Leão IV (847-55) fechou o Burgo com o Muro Leonino, de 12 metros de altura, seguindo-se uma série de ataques saracenos e lombardos. O Papa Nicolau III (1277-80) ampliou a muralha e providenciou uma rota de fuga, unindo o Vaticano ao invulnerável Castel Sant’Angelo por um longo passetto (passarela coberta). Ele nunca usou esta passagem, mas Clemente VII sim, em 1527, durante uma luta feroz contra as tropas do imperador Carlos V. O cerco de nove meses e a subseqüente pilhagem de Roma foi um divisor de águas: a fortaleza papal nunca mais seria a mesma. Quase todo o exército do Papa foi dizimado, a cidade foi queimada e saqueada, e a Capela Sistina foi usada como estábulo pelos mercenários – as inscrições pintadas por eles na Suíte Papal ainda são visíveis. Após Paulo III ter trazido Michelangelo para construir paredes maiores, os papas recuaram ao velho palácio de Latrão, e depois para o novo palácio Quirinale , onde ficaram até os problemas de 1870 os forçarem a voltar pelo Tibre. Para mais informações sobre as relações tempestuosas do Vaticano com Roma,, Tensões através do Tibre.
|