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Dê a César o que é de César, e a Deus...
É o menor Estado soberano do mundo, ocupa menos de meio quilômetro quadrado e possui menos de 900 habitantes (questionado sobre quantas pessoas trabalham no Vaticano, um antigo papa respondeu 'cerca de metade delas, penso eu'). Ainda assim, os habitantes deste pedaço minúsculo de terra no coração de Roma, no local em que se acredita que São Pedro tenha sido martirizado, tenham poder político e influência que se estendem além das paredes imponentes da cidade que os cercam.
O recente João Paulo II, que nunca falhou em suas visões muito claras sobre assuntos sociais, econômicos e éticos, era certamente um exemplo de como um homem poderia influenciar corações, mentes e a política. Mas ele não foi o primeiro, e com certeza não será o último, a guiar tomadores de decisões – ao redor do globo e, em particular, na sua própria porta, na Itália – na direção que deseja.
A Cidade-Estado do Vaticano foi estabelecida pelos Pactos de Laterano, assinados em fevereiro de 1929 por Benito Mussolini em nome do rei italiano e pelo emissário papal, Cardeal Pietro Gasparri. Por meio século antes disso, o papa se autodeclarava ‘prisioneiro’ no palácio do outro lado do Tibre, para onde havia se retirado, ofendido quando tropas do recém-formado Reino da Itália marcharam sobre Roma.
O então influente governante dos Estados Papais – uma faixa de território na Itália Central – recusou reconhecer a Itália unida e proibiu os católicos de participar da política italiana, como eleitores ou candidatos. Com os Pactos Lateranos, a Santa Sé – como é conhecida a Cidade-Estado do Vaticano – ganhou independência em troca de reconhecer a soberania italiana sobre os territórios papais.
A Itália reconheceu o Catolicismo como religião estatal, permitiu o ensino de religião nas escolas públicas e concordou em apoiar financeiramente a Igreja. O impasse conhecido como ‘questão romana’ estava resolvido, mas uma nova era de coexistência relutante e vizinhança desconfiada tinha começado.
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